No grande expediente da Câmara de Mucuri, na sessão de terça-feira (27), vereadora comemorou a vitória de Lula e de Jerônimo e disse que a democracia exige aceitar o resultado, seja qual for o lado que ganhe
Tem discurso que se perde no ar assim que o microfone é desligado. E tem discurso que fica porque diz, sem rodeio, o que a pessoa pensa. O da vereadora Pamela Seixas, na sessão da última terça-feira (27), no grande expediente da Câmara de Mucuri, é desses.
Ela começou falando de seu trabalho como vereadora e, em seguida, destacou o resultado das eleições de outubro, parabenizando o povo mucuriense e a Bahia, que, nas palavras dela, mais uma vez colocou Jerônimo para governar. Depois agradeceu a Deus e ao povo, que “entendeu que a voz do povo vence”, e comemorou o êxito na votação do presidente Lula. Para ela, quem tem a história que ele tem merece respeito.
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Um lado para chamar de seu
O trecho que mais chama atenção é o que fala de posição. “Eu apoiei Lula, votei em Lula e votaria novamente”, disse a vereadora, e foi além: nunca foi mulher de ficar em cima do muro e nunca vai ficar, porque acha que é preciso ter lado.
Num tempo em que muita gente prefere o silêncio para não desagradar ninguém, uma parlamentar que levanta da cadeira e diz em voz alta em quem votou, e por quê, merece pelo menos o reconhecimento da coerência. Pode-se concordar ou discordar dela, mas ninguém fica sem saber o que ela pensa.
A frase que resume tudo
Foi aí que veio o recado mais bonito do discurso. Pamela lembrou que, se o outro lado tivesse vencido, ela teria que suportar o resultado. “A democracia é isso”, afirmou. E repetiu a frase que diz sempre na Casa: “Aceita que dói menos”.
Vale parar um instante nessa frase. Ela vale para quem ganhou e vale, principalmente, para quem perdeu. Em Mucuri, o candidato derrotado teve 44,14% dos votos, quase metade da cidade. São milhares de pessoas que merecem ser respeitadas, e a vereadora, ao dizer que é preciso respeitar o resultado “seja qual lado que ganha”, deixou essa porta aberta.
Fé e dignidade
A fala também teve a fé como pano de fundo. A vereadora disse acreditar que Lula ganhou porque Deus permitiu, e perguntou se a vontade de Deus só prevaleceria se o outro lado tivesse vencido. Para ela, "Deus é maior, sabe todas as coisas e governa, e, se permitiu esse resultado, foi por misericórdia com o povo."
Fechou com uma convicção pessoal e política: quem deu dignidade ao pobre, ao povo, foi Lula. É uma opinião, e ela tem todo o direito de tê-la, como tem direito de dizê-la na tribuna que o voto lhe deu.
No fim, o que fica é menos a disputa de quem ganhou e mais o convite que atravessa o discurso: ter lado, defender o que acredita e respeitar o que as urnas decidiram.
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